AVALIAÇÃO DINÂMICA DE UM VEÍCULO

Parte do desafio dos simuladores de corrida está em saber regular seu carro. O setup dos carros varia entre simuladores em termos de dificuldade e número de opções, mas há alguns pontos em comum que todos deveriam ter um pouco de conhecimento. Familiaridade com os fundamentos abaixo é essencial para desenvolver ajustes sem levar em consideração seu simulador escolhido.

Todos os veículos de quatro rodas que esterçam as rodas dianteiras têm basicamente a mesma dinâmica, um Indycar, um Fórmula Um, um carro esporte, um sedan familiar, um caminhão de lixo, etc. Nós focalizaremos aqui os princípios básicos aplicados em carros de corridas.

Em todos os veículos, a força produzida pela fricção dos pneus contra o solo é usada para alterar a velocidade do carro e a sua direção.  Estas alterações são chamadas aceleração, esterçamento, e frenagem. Nos carros de corrida modernos, há dois fatores que contribuem com esta força: grip mecânico e grip aerodinâmico.

Para desenvolver um bom carro de corrida, temos que desenvolver grip máximo em todas as situações, com um mínimo de arrasto. Isto nos beneficiará com velocidades mais elevada nas curvas e retas. Obviamente não podemos ter ambos, assim para cada circuito nós precisamos achar a combinação ideal entre velocidade em curvas e velocidade máxima; em circuitos curtos, sinuosos, seremos mais rápidos com um carro que dá prioridade às curvas, enquanto em circuitos  com longas retas seremos mais rápido com um carro que sacrifica as curvas para oferecer maior velocidade máxima nas retas.

Nós também queremos que o carro seja equilibrado para facilitar o controle; quer dizer, quando o carro alcançar o limite de aderência, pretendemos que os pneus dianteiros e  traseiros comecem a deslizar ao mesmo tempo, à mesma taxa. Se o carro não for equilibrado, ou os pneus dianteiros começarem a deslizar primeiro, nós deslizaremos para fora da curva, ou os pneus traseiros começarem a deslizar primeiro, o carro girará.

Nós também queremos um carro que perdoe nossos erros. Isso significa que seu comportamento seja previsível e consistente, e quando começar a deslizar, que seja progressivo em lugar de súbito. Nós gostaríamos que o carro iniciasse a deslizar suavemente, com alguma advertência, e deslizasse bastante antes de ficar incontrolável.

Todos estas coisas requerem negociação. Vamos dar uma olhada como nós podemos separar os vários fatores modificáveis nas partes que afetam esterçamento, frenagem, e aceleração, assim podemos ter uma base para trabalhar no desenvolvimento do setup de nosso carro de corrida para um determinado circuito.

EQUILÍBRIO

Quando um carro está fazendo uma curva, queremos que seja equilibrado; quer dizer, quando alcançar seus limites de aderência, queremos que os pneus dianteiros e  traseiros comecem a deslizar ao mesmo tempo, à mesma taxa. Se o carro não for equilibrado, ou se os pneus dianteiros perderem aderência primeiro, nós deslizaremos para fora da curva, ou se os pneus traseiros começarem a deslizar primeiro, o carro girará.

Para o carro ser equilibrado, o grip disponível a cada eixo deve ser proporcional à porcentagem de peso àquele eixo do carro. Em outras palavras, se o carro tiver 60% de seu peso nas rodas traseiras, tem que gerar 60% de seu grip nas rodas traseiras.

Muitos fatores afetam o equilíbrio. Como nós vimos, o composto dos pneus pode influenciar o equilíbrio. Uma pequena mudança na pressão dos pneus, aumentando ou diminuindo o grip disponível naquele eixo do carro, também pode modificar o equilíbrio.

DIRIGIBILIDADE

A qualidade mais enganosa em setups de carro de corrida é a dirigibilidade. O melhor carro de corridas do mundo não será um bom carro de corrida se for imprevisível, ou se seus limites forem bruscos e incontroláveis. Como discutimos mais cedo, o comportamento deve ser previsível e consistente, que no início comece a deslizar suavemente com alguma advertência, e que realize um maior deslizamento antes de ficar incontrolável.

Um carro assim será mais fácil de pilotar e mais rápido no decorrer de uma corrida inteira, já que o piloto poderá pilotar próximo de seu limite máximo uma maior porcentagem do tempo. Terá mais tempo para dedicar sua atenção para outras coisas, como os próprios oponentes, monitorar consumo de combustível e desgaste de pneu, etc. O piloto não estará preocupado em reagir a movimentos repentinos do carro usando muito mais esforço mental para manter o carro na pista.

INTERDEPENDÊNCIA

Todos estes fatores interagem um com o outro. Por exemplo, se você aumentar o downforce na dianteira, comprimirá os pneus mais fortemente. Isto pode alterar a temperatura dos pneus, ou exigirá uma correção para mais câmber negativo. Mudando algum dos fatores que nós revisamos causamos outros fatores.

Mude uma coisa de cada vez, e mantenha cópias de suas anotações!

CONCLUSÃO

Eu espero que você ache útil esta avaliação de dinâmica de carro de corrida. Setups de carro de corrida é um assunto muito complexo, entretanto os fundamentos não mudaram, sendo adicionado novos conhecimentos a todo tempo.

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